Querido Universo,
No meio desta Vida alucinante que vivo todos os dias, e facil perder o rumo e o sentido das coisas. E facil olhar para o lado e pensar que, todos os nossos colegas, vivem Vidas fabulosas, estao felizes ou tristes todo o dia e que nunca nada os pode afectar como nos afecta a nos.
Esta semana perco uma pessoa querida. Nao sei se chegamos ao ponto de sermos amigos mas, pelo menos, partilhamos algo, nestes (quase) dois meses que aqui estou!
Neste barco tao pequeno vemo-nos pouco devido a correria e ao cansaco do dia a dia. O grupo de amigos e diferente, os habitos tambem (se eu ainda fumasse, viamo-nos com certeza, na sala de fumo). Por isso, de vez em quando, vamo-nos encontrando e falando.
E este meu amigo (que e homem e forte, portanto!) partilhou comigo, esta semana, que ama...ama alguem com quem ele nao fala, da qual sabe muito pouco a nao ser a nacionalidade e o facto dela ser solteira e o trabalhar neste navio e que este amor ja vem de tras, do ano passado. Diz ele que sente borboletas na barriga sempre que a ve, quando tem que ir a algum sitio, muda de trajecto para a poder ver, nem que seja ao longe e que comecaram a comunicar via um dos amigos dela. Mas que ela nao gosta dele.
Disse-me o meu amigo que mal consegue respirar todos os dias com esta (nova) sensacao. Que ele nunca pediu isto, que a Vida nao pode ser justa e como e possivel gostar de alguem assim? Sem mais, sem condicoes...
O meu amigo e um homem, nao uma crianca e julgou que nunca mais poderia sentir tal sentimento. A verdade e que eu ja o sabia desde a primeira vez que trocamos umas meras palavras, sabia que havia ali algo, os mecanismos de defesa estavam todos la.
Isto passou-se ha uns dias...Nunca mais falamos do assunto, como bons amigos que somos.
Contudo, toda esta conversa deixou-me a pensar...Quando foi a ultima vez que senti esse sentimento? Quando foi a ultima vez que abri o meu coracao assim a alguem? Disposta a perder-me na loucura de uma amor, por uma pessoa que mal conheco mas com a qual estou disposta a passar o resto da minha Vida?
E nao consegui deixar de me sentir emocionada com esta historia...porque, afinal, apesar de vivermos esta Vida alucinante, ainda temos a capacidade de amar, de gostar, de reconhecer que sofremos (ainda que seja por alguem) e de abrir o nosso coracao a uma amiga que nao tem mais que oferecer senao o seu proprio ombro.
Beijo no coracao
Jo
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