quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O regresso a casa...

Dou-me conta que nunca vos falei do regresso a casa...do nosso, que andamos lá fora tanto tempo, do meu, para esta casa que se diz minha e que, de todas as vezes, reconheço um bocadinho menos. 

Digo-o, não com mágoa, antes com a certeza de que este é um processo normal, que ocorre a todas as pessoas que estão fora de alguma coisa que já foi sua e têm a esperança que ainda nada tenha mudado. 

Já lá vão 6 anos de partidas e regressos. De todo o tipo de regressos...e de partidas também!

Cada vez, no regresso, após 7 meses de ausência, de ser eu e estar comigo, preciso de fazer uma catarse. 

Quase como uma cobra que larga a pele velha e se renova, limpando tudo o que de bom e menos bom aconteceu e se prepara para um novo ciclo. Estranho multidões, aglomerado de pessoas, perguntas disto e mais alguma coisa. Porque isto significa estar sempre ligado, reviver momentos dolorosos ou não. Quero com isto dizer que falo sim, mas mais tarde, depois de toda a poeira assentar e eu me aperceber que estou (novamente) no mesmo sítio. Passado 6 anos, já não falo tanto...e isso sim, constitui um problema. Siginifica também que as outras pessoas deixaram de perguntar...Passados 6 anos tudo está na mesma, o trabalho continua o mesmo, os desafios maiores e diferentes, mas, sim, está tudo na mesma. 

E de, todas as vezes, este regresso é pontuado de cores e sentimentos diferentes. No primeiro ano, é a novidade do regresso, de tudo o que se quer partilhar (e que os outros não querem saber), de estar no conforto do lar, nos braços da familia, a alegria dos momentos com os amigos, no mesmo bar de sempre. Como se nada tivesse mudado.

Nos anos seguintes, há uma mudança interior. Porque o nosso caminho é diferente. Porque é mais sozinho, rodeado de pessoas que percebem e sentem da mesma forma que nós. Que passam pelas mesmas situações. Então, partihamos menos com quem está cá. Vamos calando o ruído. Vamos calando e escondendo os nossos momentos importantes. As nossas pequenas vitórias da Vida (porque somos fortes e bons e não somos o vizinho, coitadinho, que não tem a nossa coragem e, diria eu, o mesmo! medo, que nós temos). 

E vamo-nos escondendo...porque a época é de crise e nós é que estamos bem. Porque não podemos celebrar o simples facto de termos chegado mais longe porque alguém precisa mais de nós que nem reparam ou não se lembram. Porque as energias estão voltadas para outro lado e, nós, que chegamos, estamos sempre bem. Porque nós próprios nos habituamos a estar sempre bem. A mostrar que sim, que nada nos afecta, que não nos perdemos, que somos os maiores e mais fortes do mundo (à semelhança dos nossos antepassados que imigraram para a França e tiveram sucesso!?). 

Vamo-nos calando, com receio que tudo de nós, magoe tudo nos outros e no que nos estão próximos. 

Os regressos são sempre catarses. Final de um ciclo e inicio de outro. 

E todo este processo demora...muitas das vezes, até irmos embora outra vez, mais felizes (e aliviados!) porque voltamos para os braços de velhos conhecidos (as), que, no meio de tanta pressão, se lembram de nos perguntar, de vez em quando se És Feliz!

E voces, são felizes? :)










1 comentário:

  1. Adorei e como deves imaginar revejo-me completamente nestas palavras.
    Sê feliz :D

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