Querido Universo,
Hoje venho
agradecer-te. Do fundo do meu coração. Venho agradecer-te a grande oportunidade
que me deste de crescer…tanto, em tão pouco tempo.
Há, mais ou
menos, uma semana atrás, tiraste-me o tapete debaixo dos pés. Senti a imensa
dor que é perder alguém, senti-me indefesa, sozinha, triste, abandonada. Senti
que a Vida, tal como a tínhamos planeado, se perdeu para sempre. Não ao ponto
de não ver uma luz ao fundo do túnel (afinal, nasci num ano 1…) e recomeçar de
novo mas senti-me sem forças, desamparada.
O meu namorado
(ou ex, agora) deixou-me porque se vai casar com outra mulher, por exigências
de uma cultura e da família (e dele!). Digo-o não para que sintas pena de mim,
mas para o verbalizar, porque posto desta forma chega até a ser engraçado.
Penso que ninguém, homem ou mulher, deve passar por esta situação. Dois anos
depois e planos feitos, senti a terra tremer e, pior, numa mensagem de
facebook, acabada com um sincero «Melhores cumprimentos».
Fiz o que era
possível fazer na altura…chorei! Chorei o quanto pude, deixei sair tudo de
dentro de mim, roguei-lhe as maiores pragas do mundo, escrevi-lhe, voltei a
escrever-lhe e li, vezes sem conta, as mensagens e os planos que fizemos
juntos. Até tudo fazer sentido e até nada fazer sentido. Até a minha torneira
fechar e eu não ter mais lágrimas para chorar…
Ao contrário do
que pensava, não tive vergonha de partilhar a minha história. Já não é minha
por isso a vergonha também não me pertence. Partilhei-a em voz alta com todas
as pessoas amigas que tenho aqui, sem receio de ser vista como fraca. Afinal,
acontece a todos…dentro ou fora do navio!
E é por isto que
te venho agradecer hoje. Porque fui tão acarinhada por toda a gente, porque me
deram conselhos tão sábios, porque descobri que algumas pessoas aqui são
realmente meus amigos (curiosamente, homens!) e tomaram bem conta de mim. E,
considero isto, uma bênção…uma querida portuga, deu-me os parabéns…por aquilo
que eu ainda não sei! Por isso, é motivo de celebração…
Não quero que
penses que estou a tentar fugir a um sentimento ou a emoções que me pesam. Que
estou a tentar esconder algo. Mas dei-me conta que a única pessoa a gastar
energia nestes pensamentos sou eu, por isso, tenho mesmo que o deixar partir.
Ainda que goste muito dele, ainda que tudo tenha mudado e eu esteja a sofrer.
E dei-me conta
hoje, enquanto falava com a pessoa que me ensinou tudo sobre este trabalho, que
aprendi, que cresci com tudo isto, com esta equipa, que gosto imenso daquilo
que faço e que estou aqui para ficar. Pelo menos, por alguns anos mais. E que
este foi apenas mais um momento de aprendizagem e de desenvolvimento pessoal.
A pessoa que sou
hoje devo-o a mim e também a ele, que me fez sofrer. A pessoa que serei daqui
em diante também.
Ainda gosto dele,
sim…estaria a mentir se dissesse que não. Mas a Vida leva-nos por outros
caminhos, tem outros planos para nós. E, neste momento, tudo o que posso fazer
é deixar-me ir com a corrente.
Por tudo isto e
por tudo aquilo que eu (ainda) não sei, obrigado!!
Beijo no coração,
Jo
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