quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Nautica

Querido Universo,
Demorei muito tempo a regressar aqui…queria ter a certeza de que quando te escrevesse de novo estaria livre de qualquer emoção menos negativa.

Já passou mais de um mês. Um mês repleto de estranhas emoções, sentimentos e uma clara sensação de que o meu lugar não seria bem aqui. Aliás, tive esta sensação durante toda a viagem, mesmo quando estava parada em frente ao navio. Para quem nunca fez disto Vida, asseguro-vos de que é uma sensação absolutamente normal. Cada navio, cada novo espaço é sempre diferente, com uma energia própria. Nós também vamos mudando, vamos querendo outras coisas, já não sentimos tanto entusiasmo por coisas que nos chamavam a atenção no primeiro, segundo e terceiro contrato.

Este navio recorda-me muito a minha primeira casa. O Marina. Por todo o lado vejo rostos conhecidos, amigos do meu namorado, pessoas que se foram tornando familiares desde 2011. A minha própria equipa é composta por pessoas já conhecidas e isso é mais do agradável apesar de eu estar já noutra posição. Engraçado como o mundo dos navios funciona.

Desde há um mês tem corrido tudo bem. Claro, temos os nossos dias. Não podemos agradar a toda a gente. Temos dias mais cansativos, outros mais relaxados. Vou jogando com isso como se fosse um malabarista. O que me vale, na maior parte dos dias, é a presença da Cris. Portuguesinha da Póvoa, que já está por cá há 2 contratos e está já mais do que habituada a ser ‘assistente’. Este contrato, ela é oficialmente a minha assistente. Não poderia estar mais contente. Penso que nunca vi ninguém com mais vontade de aprender, com gosto pelo que faz, boa em detalhes. Talvez seja por isso que me dou tão bem com ela. O engraçado é que aprendemos uma com a outra. Ela dá-me outros pontos de vista, não diz amén a tudo o que faço, dá-me na cabeça quando tem que ser.

A Cris, trouxe-me também, o sentido de família. Por causa dela, telefono mais vezes para casa. Por causa dela, dou mais valor a quem está longe, sem sentir pena. Foi esta a Vida que escolhi mas sim, posso manter e fazer crescer as minhas raízes. Não há coincidências…

Neste ultimo mês e meio, tenho ouvido muito a minha leitura da Aura (assunto para outro post) e, se no início me senti sozinha, agora começo a sentir-me bem na minha própria pele. Sinto que sou só eu, que não tenho que estar com mais ninguém se não quiser. Tenho cada vez mais a necessidade de ter o meu espaço, de gerar coisas, de ser criativa…e isso, não sendo novidade para mim, atrai-me porque liberta muito o meu pensamento.
Beijo no coração

JU